terça-feira, 12 de maio de 2015

Afinal, Padre Cícero foi ou não foi excomungado? Daniel Walker

Padre Cícero
Existe uma polêmica muito grande quanto a saber se Padre Cícero foi ou não foi excomungado pela Igreja Católica como decorrência das investigações dos chamados Milagres da Hóstia, ocorridos no povoado de Juazeiro a partir de 1º de março de 1889. Muitos escritores chegaram a dizer em seus livros publicados que ele morreu excomungado; outros disseram que ele não foi e outros que ele foi, mas a pena foi revogada antes de ele morrer. Quem está com a razão? Este texto foi escrito no intuito de tentar dirimir as dúvidas e elucidar a verdade, tendo como base documentos oficiais emitidos pelo Santo Ofício (hoje denominado de Congregação para Doutrina da Fé) e informações de fontes insuspeitas. Para melhor compreensão vamos detalhar os fatos seguindo uma ordem cronológica e sempre que possível será feito um pequeno comentário para maior clareza da informação. Antes de falarmos sobre a excomunhão propriamente dita fazemos uma retrospectiva da evolução das penas aplicadas ao Padre Cícero, as quais tiveram início  com uma repreensão por escrito feita pelo bispo Dom Joaquim. 

- 4 de novembro de 1889. Inconformado com as notícias veiculadas na imprensa sobre os milagres  o Bispo Dom Joaquim envia carta a Padre Cícero na qual o proíbe expressamente de fazer qualquer manifestação pública sobre o assunto.
Comentário: depois dessa carta o bispo mandou outra e como não ficou satisfeito com o comportamento do Padre Cícero no atendimento as suas determinações resolveu ser mais duro, aplicando penas mais severas. 

- 6 de agosto de 1892. Através de Portaria o bispo D. Joaquim suspende o Padre Cícero das faculdades de confessar, pregar e administrar sacramentos. 
Comentário: Esta foi a primeira pena grave imposta oficialmente a ele como desdobramento das investigações dos fenômenos ocorridos no povoado de Juazeiro a partir de 1º de março 1889, denominados popularmente de Milagres da Hóstia.

- 13 de abril de 1896. O bispo dom Joaquim aumenta a punição ao Padre Cícero e o proíbe de celebrar Missa. 
Papa Leão XIII
Comentário: Em 26 de junho do mesmo ano Padre Cícero envia sua apelação ao Papa Leão XIII e pede que seja enviada uma comissão a Juazeiro para averiguar os fatos relativos ao Milagre da Hóstia. Tudo em vão, o Santo Ofício não mandou a Comissão e a proibição de celebrar Missa permanece. 

- 10 de fevereiro de 1897. O Santo Ofício  emite um novo Decreto, agora proibindo a permanência de Padre Cícero em Juazeiro, sob pena de excomunhão. 
Comentário: as proibições aumentam tendo em vista as péssimas informações chegadas a Roma sobre o Padre Cícero. O bispo Dom Joaquim estava tão indignado com o comportamento do Padre Cícero que nem sequer sabia mais distinguir entre verdade e boatos e colocava no papel e enviava a Roma qualquer informação recebida dos padres a seu serviço (principalmente Padre Alexandrino de Alencar) que espionavam a vida do Padre
Pe.Alexandrino
Cícero. Temeroso de incorrer na pena de excomunhão,  Padre Cícero resolve sair de Juazeiro e vai para Salgueiro. Isto foi em 29 de junho de 1897. Em  25 de fevereiro de 1898 Padre Cícero chega a Roma para se entender com as autoridades religiosas na esperança de elucidar tudo sobre a Questão Religiosa em que se  envolveu e, principalmente, ser reabilitado.

- 22 de junho de 1898. Após cinco interrogatórios os cardeais do Santo Ofício decidem absolver o Padre Cícero das censuras até então impostas, mas ele permanece com a proibição de pregar, confessar e dirigir as almas e é aconselhando a procurar outra diocese. 
Albergue da Igreja de São Carlos 
Comentário: Um fato interessante aconteceu nesse momento. Como o Padre Cícero não foi encontrado no endereço em que estava hospedado, os cardeais  determinaram que ele deveria permanecer suspenso a divinis até se apresentar, de novo, ao Santo Ofício. A expressão latina suspensão a divinis se refere à suspensão de um eclesiástico de suas atividades ou ofícios religiosos. Sobre o suposto desaparecimento do Padre Cícero uma explicação plausível é dada por Padre Antenor Andrade no seu livro  Padre Cícero: o calvário de um profeta dos sertões, publicado recentemente. Ocorreu o seguinte: ao chegar a Roma Padre Cícero ficou provisoriamente hospedado num hotel. Mas como suas finanças estavam se esgotando ele pediu às autoridades eclesiásticas que lhe arranjassem outro local, de preferência pertencente à Igreja, onde ficaria isento de despesa, e a assim foi atendido. Passou a residir no Colégio São Carlos, ao lado da imponente Igreja de São Carlos na Vila Del Corso, bem no Centro de Roma. Acontece que Padre Machado, encarregado de notificar ao Padre Cícero sobre a decisão do Santo Ofício não foi informado que ele havia mudado de endereço e não o encontrando no endereço anterior, informou às autoridades que não encontrara o destinatário. Daí a  confusão gerada. Mas depois ficou tudo esclarecido e Padre Cícero foi finalmente notificado da sua absolvição, quando compareceu ao Santo Ofício em 1º de setembro de 1898.  

- 5 de setembro de 1898. Após vários requerimentos enviados ao Santo Ofício para regularizar sua situação ele consegue autorização e com muita alegria celebra Missa na Capela de São Carlos. E os cardeais foram mais benevolentes ainda, pois lhe concederam também permissão para celebrar durante a viagem de volta ao Brasil.

- 15 de novembro de 1898. Padre Cícero se apresenta a Dom Joaquim em Fortaleza e lhe informa que fora absolvido em Roma. Mas o bispo, certamente insatisfeito com a decisão do Santo Ofício, foi implicante mais uma vez e não permite que ele celebre em Juazeiro. 
Comentário: diante dessa atitude do bispo fica claro que ele não estava nada satisfeito com o desdobramento favorável da viagem do Padre Cícero a Roma. E como Padre Cícero continuou residindo em Juazeiro, as proibições permaneceram. 

- 12 de julho de 1916. O Santo Ofício declara o Padre Cícero incurso na excomunhão latae sententiate. 
Cadeal Merry
Comentário: Este é um dos vários tipos de excomunhão adotados pela Igreja Católica e é aplicado quando o fiel incorre no momento que comete a falta previamente condenada pela religião. 
Assim, está bastante claro: de fato, foi lavrado um documento de excomunhão do Padre Cícero pelo Santo Ofício. Em 27 de julho de 1916 o cardeal Merry Del Val comunica o fato oficialmente ao Núncio Apostólico, Dom José Anversa. Eis o decreto na íntegra:
“Ilmo. e Rmo. Senhor,
Por informações desta Nunciatura Apostólica às Sagradas Congregações Consistorial e dos Negócios Eclesiásticos Extraordinários resulta evidente que o famigerado Sacerdote Cícero Romão Baptista de Joaseiro no Estado do Ceará, diocese de Fortaleza, nunca obedeceu, como devia aos repetidos Decretos do S. Ofício a seu respeito; que a sua obstinada permanência em Joaseiro é de gravíssimo dano para as almas; e que gravíssimas consequências se havia de deplorar se o mesmo, que já é bastante avançado nos anos, viesse a morrer naquele lugar.
Tendo sido tudo isto referido na Congregação Feria IV, 21 de junho pp., os Emos. Senhores Cardeais, Inquisidores Gerais, meus Colegas, ordenaram que os lugares da mencionada Diocese nos quais forem necessários e no modo que V.S. julgar mais oportuno seja emanada uma pública declaração com a qual resumidos os Decretos de 4 de abril de 1894, com os quais se declaravam falsos os pretensos milagres de Joaseiro e se condenava a protagonista da indigna comédia e os seus fautores, entre os quais especialmente o Cícero; o outro dia 10 de fevereiro de 1897, com o qual se impunha ao Cícero afastar-se de Joaseiro sub pena excomunicationis latae sententiae Romano Pontifici reservatae; e finalmente o de 17 de agosto de 1898, com o qual se confirmaram as precedentes disposições e se acrescentaram outras; faça-se claramente entender aos fieis que a S. Sé e confirmando tudo que foi ate agora estabelecido reprova decididamente e condena a conduta do Cícero, declara-o incorrido na excomunhão reservada ao Sumo Pontífice, e exorta calorosamente todos os fieis a não se deixar enganar pelas suas falácias e tergiversações.
Neste interim, tenho o cuidado e participar-lhe que queira providenciar a sua plena e pronta execução e lhe desejo todo o bem de Deus. De V. S.Ilma. e Rma. Devmo. Servidor verdadeiro R. Card. Merry Del Val”.

Dom Quintino
D. Quintino, bispo do Crato, só tomou conhecimento desse documento no dia 14 de abril de 1917, portanto nove meses depois da sua publicação. E só resolveu comunicar por carta ao Padre Cícero no dia 29 de abril de 1920, portanto três anos depois. E aconteceu um fato curioso: a carta foi escrita e enviada, mas Padre Cícero não a recebeu por decisão de Dr. Floro Bartholomeu da Costa, cujo motivo depois explicaremos. Antes vamos mostrar o conteúdo da carta de Dom Quintino:
“Crato 29 de abril de 1920
Revmo. Sr. Pe. Cícero Romão Baptista
Não tendo a Suprema Congregação do Santo Oficio, até hoje reformado a sua venerada decisão de 21 de junho de 1916, na qual, considerando que o sacerdote Cicero Romão Baptista desta diocese nunca obedeceu, como devia, aos repetidos Decretos do Santo Ofício a seu respeito; que a sua obstinada permanência em Joazeiro e de grandíssimo dano as almas e que gravíssimas consequências se haveriam de deplorar se o mesmo viesse a morrer naquele lugar... ordenou que nos lugares da mencionada Diocese, nos quais se julgar necessário e no modo o mais eficaz, seja emanada uma pública declaração, com a qual, retomados os Decretos de 4 de abril de 1894, com o qual se declaravam falsos os pretensos milagres de Joazeiro e se condenava a protagonista da indigna comédia e os seus fautores, entre os quais especialmente o Cícero; o outro de 19 de fevereiro de 1897, com o qual se impunha ao Cícero afastar-se de Joazeiro, sub pena excomunicationis latae sententiae Romano Pontificireserva qual se confirmaram as precedentes disposições e se acrescentar outras; se faça claramente entender aos fieis que a S. Sé mantém firme tudo o que foi até agora estabelecido, decididamente reprova e condena a conduta do Cícero, declara-o incurso na excomunli reservada ao Sumo Pontifice, e exorta calorosamente todos os fieis a não deixar-se levar em engano pelas suas falácias e tergiversações (Carta do Núncio Ap., de 14 de abril de 1917); não sem pesar no antes de tudo, fazemos sentir a V. Revma. que a provisão que lhe concedemos para celebrar nesta Diocese, já por se ter esgotado seu prazo, desde 31 de dezembro de 1917, já sobretudo pelo fato da supracitada decisão, que agora lhe intimamos, por escrito, está sem nenhum vigor e não poderá ser renovada enquanto não for para isto autorizado por aquele Sagrado Tribunal.
Deus guarde e ilumine V. Revma.
Ass. + Quintino, Bispo Diocesano”. 

Dr. Floro
Padre Cícero não chegou a receber essa carta porque Dr. Floro foi quem a viu primeiro e diante do conteúdo exposto achou por bem não lhe entregar, pois achava que em face da avançada idade Padre Cícero não estava em condições de saúde e psicológicas para suportar tamanho baque. E foi isso mesmo que Dr. Floro informou ao bispo, conseguindo convencê-lo a não dar conhecimento da gravíssima pena de excomunhão a que padre Cícero incorreu. 
Dom Quintino tinha, então, um documento provando que Padre Cícero estava excomungado, mas mesmo assim deixou que ele continuasse celebrando missa fora de Juazeiro. Ele celebrava no sítio Saquinho, município do Crato. 

No dia 1º de janeiro de 1917, estando excomungado, mas sem saber, Padre Cícero recebe autorização do bispo para celebrar Missa na capela de Nossa Senhora das Dores, onde deixara de celebrar desde o dia 6 de agosto de 1892. 

Tudo corria mais ou menos normal entre Padre Cícero e o bispo Dom Quintino. Mas no dia 2 de junho de 1921 Padre Cícero lhe escreve uma carta pedindo autorização para ser padrinho de batismo de uma criança, filha legítima do Sr. Antônio Luiz de Assis Chitafina e Lucila Tenório de Assis, residentes em Juazeiro. Para sua surpresa, Padre Cícero recebeu a seguinte resposta:

“Visto como o Revdmo. suplicante não está cumprindo exatamente todas as cláusulas das declarações que em Dezembro de 1917 depositou em nossas mãos, depois de serem lidas em público; e não só está fomentando a venda e divulgação das medalhas proibidas (quais são as que têm a sua efigie), mas frequentando o estabelecimento do vendedor e benzendo-as, como ainda a certa mulher que deixou de confessar-se para casar por ter declarado que acreditava "Nos milagres do sangue precioso do Juazeiro" aconselhou-lhe que fosse para Cajazeiras, da Paraíba, onde há trabalhos públicos, e depois de algum tempo de estadia ali, efetuasse, lá mesmo, seu casamento; não podemos dar licença ao mesmo suplicante para apadrinhar crianças e nem lhe conceder uso de ordens nesta diocese.
Crato, 3 de junho de 1921
Ass. Quintino, bispo diocesano”.
Comentário: Segundo escreveu Amália Xavier de Oliveira em seu livro O Padre Cícero que eu conheci, “este despacho só chegou ao conhecimento do Padre Cícero no dia 4 de junho, quando ele já havia celebrado, sem o saber, sua última Missa”. 

Papa Bento XV
Apesar de muita gente ter o bispo dom Quintino como algoz e inimigo do Padre Cícero, ele, na verdade foi muito benevolente para com o Padre Cícero. Chegou a pedir a reabilitação do padre, conforme esclarece a carta transcrita a baixo que ele enviou (quando estava no Rio de Janeiro) ao Papa Bento XV
“Beatíssimo Padre,
O Bispo do Crato, tendo recebido pelo Núncio Apostólico, em maio de 1917, o mandado de tornar pública em sua Diocese a sentença pela qual a Sé Apostólica declara que o sacerdote Cícero Romão Baptista, na mesma Diocese bem conhecido, incorreu na pena que lhe foi cominada de excomunhão latae sententiae, reservada ao Romano Pontifice, em virtude de ter negligenciado as determinações a ele impostas pela Sagrada Congregação do Santo Ofício nos três Decretos dos dias 4 de abril de 1894, 10 de fevereiro de 1897 e 17 de agosto de 1899, e por ter obstinadamente permanecido na cidade de Joazeiro, que pelo Decreto de 10 de fevereiro de 1897 deveria deixar, vem, prostrado aos pés de Vossa Santidade, humildemente implorar que lhe seja permitido expor o seguinte: O mencionado sacerdote Cícero Romão Baptista sofre há tempo de lesão cardíaca, de acordo com os atestados médicos, confirmados pelos sintomas que nele se manifestam; donde surge o grande perigo de que ele tenha um desenlace fatal, com a publicação da referida sentença. Em tais circunstâncias, o suplicante decidiu submeter ao sapientíssimo juízo da Sagrada Congregação do Santo Ofício, em cópia autentica, as declarações claras e categóricas que o mesmo Pe. Cicero escreveu, de livre e espontânea vontade, no mês de dezembro de 1917, e que foram lidas em sua presença a numerosa multidão de fieis, por ocasião de uma santa missão que, então, se realizava com grande fruto na referida cidade de Joazeiro. A partir disto, considerando,
1°) Que as condições religiosas da recente paroquia, depois  da santa missão, ter melhorado sensivelmente, contando mais de mil comunhões mensalmente;
2°) Que a permanência do Pe. Cícero nessa cidade, com a faculdade de  celebrar em qualquer outro lugar da Diocese, e bem assim o fato de ele ter se confessado sempre, e até feito duas vezes os exercícios espirituais do Clero, indicam que a autoridade diocesana tenha admitido a legitimidade dos motivos dessa permanência e tenha tolerado; 
3°) Que o perigo de gravíssimas e deploráveis consequências, que se temia pela sua morte naquele lugar, vem sendo pouco a pouco, removido pela  sensível diminuição de seu prestigio nos assuntos religiosos; e mesmo se assim não fosse, não haveria de se esperar o desejado efeito, nem pela sua ida para outro lugar nem pela declaração de sua excomunhão; 
4a) Que, enfim, já alcançou a avançada idade de setenta e cinco anos e tem  precário estado de saúde.
O mesmo suplicante pede permissão para manifestar o seu parecer de que não seja executada a publicação do mandado, e exprime seus desejos de que, pelo bem da paz, seja o Pe. Cicero Romão Baptista absolvido das censuras em que incorreu e lhe seja concedida a faculdade de celebrar a Santa Missa também em Juazeiro, suposta a cláusula especial de observar fielmente as declarações por ele emitidas.
Rio de Janeiro, 9 de novembro do ano do Senhor 1920 +Quintino, Bispo Diocesano do Crato.”

No dia 23 de fevereiro de 1921, o Santo Ofício analisou a solicitação de Dom Quintino ao Papa, que pede a absolvição das censuras e a permissão de celebrar, e resolveu atender apenas à primeira parte (absolvição das censuras, aí incluindo a excomunhão), mas não concedeu o direito de celebrar, podendo o Padre Cícero receber os sacramentos como simples leigo. Também é feita mais uma vez a recomendação de ele deixar Juazeiro. 

- 3 de junho de 1926. Como Padre Cícero adotou a opção de permanecer em Juazeiro Dom Quintino acatando determinação do Santo Ofício o suspende novamente, retirando-lhe  o uso de ordens. Foi esta a última e definitiva punição.
Comentário: foi nessa situação – suspenso de ordens e não excomungado -  que Padre Cícero encerrou seus últimos dias de vida, em 20 de julho de 1934.  

Bento XVI
CONCLUSÃO: Pela explanação exposta neste trabalho fica evidente que Padre Cícero foi realmente excomungado, mas não morreu excomungado, pois a pena  foi revogada pelo Papa Bento XV, permanecendo as outras censuras especialmente  a proibição de celebrar. Muitos pedidos implorando a sua reabilitação foram enviados a Roma, todos em vão.  O último, protocolado oficialmente e pessoalmente pelo atual bispo da Diocese do Crato, Dom Fernando Panico, na Congregação para Doutrina da Fé, no Vaticano, ocorreu no dia  31 de maio de 2006, mas até agora está sem resposta. A petição acompanhada de relatório e farta documentação, inclusive abaixo-assinado com mais de cem mil assinaturas de devotos do Padre Cícero e 254 de bispos do Brasil, com aval da CNBB,  foi entregue  ao Cardeal  Josef William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O Bispo acompanhado de alguns membros da
Cardeal Josef Levada
Comitiva ainda conseguiu falar com o Papa Bento XVI numa deferência toda especial de Sua Santidade. Naquele momento histórico chamou a atenção dos membros o olhar de Sua Santidade à foto do Padre Cícero estampada nas camisas vestidas por vários membros da Comissão que foi a Roma. Irmã Annnette Dumoulin, uma das presentes, contou o seguinte: “Ana Teresa e eu, estávamos de cadeira de roda. O Papa cumprimentou todos os cadeirantes. E quando chegou para mim, falei em francês, mostrando a foto do Padre Cicero na minha camisa: "Santo Padre, em nome de milhões de Brasileiros, especialmente nordestinos, estamos aqui pedindo a reabilitação do Padre Cícero." E o Papa me respondeu em francês, olhando o Padre Cícero na minha camisa: "Sim, o Bispo acabou de me falar sobre ele." Então o papa viu Padre Cicero três vezes! Nas camisas de Ana Teresa, de Maria do Carmo e da minha.”
Pelo exposto fica também evidente que se Padre Cícero saísse de Juazeiro e nunca mais falasse nos Milagres da Hóstia ele continuaria como padre católico. Aí é o caso de perguntar: se ele realmente saísse de Juazeiro e nunca mais falasse nos Milagres ele seria o mesmo Padre Cícero? E sua criação – Juazeiro - o que seria? Teria crescido ou ficaria para sempre como um simples povoado dependente do Crato? Impossível imaginar. Mas, raciocinando dentro do que realmente ocorreu, ousamos afirmar: pagando o alto preço de ter suas ordens suspensas porque preferiu permanecer em Juazeiro, o Padre Cícero certamente morreu consciente de ter feito a coisa certa e, com isso, seu filho - o Juazeiro - só teve a lucrar, pois só chegou aonde chegou (ser uma grande cidade e centro de romaria) por causa dele. E mais, não resta dúvida, a decisão de ficar em Juazeiro, mesmo sacrificando sua carreira eclesiástica, provocou o surgimento de um santo popular e a fundação de uma Nação Romeira. São dois fenômenos que a Igreja jamais destruirá porque  ambos foram resultados de ação popular. 
Irmãs Annette e Ana Tereza e Maria do Carmo Pagan Forti quando eram cumprimentadas pelo Papa Bento XVI

FONTES
Della Cava, Ralph. Milagre em Joaseiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
Maia, Helvídio Martins. Pretensos milagres em Juazeiro. Petrópolis, 1974
Neri, Feitosa (Pe). Padre Cícero e Juazeiro. Textos reunidos. Fortaleza, Imeph, 2011
Neto, Lira.  Padre Cícero, poder, fé e guerra no sertão. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Oliveira, Amália Xavier de. O padre Cícero que eu conheci. Rio de Janeiro, 1966.
Silva, Antenor de Andrade Silva. Padre Cícero: o calvário de um profeta dos sertões. Recife, 2015. 
_____. Cartas do Padre Cícero. Salvador: Escolas Profissionais Salesianas, 1982.
_____. Padre Cícero mais documentos para sua história. Salvador: Escolas Profissionais Salesianas, 1989.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O MILAGRE DE JUAZEIRO (Fernando Maia da Nóbrega)

           
No ano do centenário de morte da Beata Maria de Araújo, bem como, decorridos oitenta anos do falecimento do Padre Cícero Romão Batista, é oportuno se debruçar sobre os pretensos milagres ocorridos em Juazeiro do Norte, a partir de 1889, envolvendo os dois protagonistas desses fatos.
       Muito embora haja farta literatura abrangendo o assunto, a história real, verdadeira, ainda é bastante distorcida pelo público, gerando falsas interpretações e julgamentos tendenciosos, mormente por pessoas não especializadas na matéria, justificando, destarte, mais uma abordagem.
      Tudo teve início em 1º de março de 1889. Após exaustivo dia de confissões e comunhões, Padre Cícero ao ministrar a eucaristia à beata Maria Magdalena do Espírito Santo Araújo, constatou estupefato que a hóstia consagrada havia se transformado em sangue! Diante da gravidade do assunto o reverendo achou por bem silenciar. Entretanto, Monsenhor Francisco Rodrigues Monteiro, contrariando os desejos do Padre Cícero, divulgou oficialmente perante mais de três mil pessoas assistentes de uma missa, na Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte, os acontecimentos extraordinários ocorridos anteriormente. Durante o ato litúrgico o reverendo exibiu aos atônitos fiéis as toalhas tintas de sangue!
            A notícia se espalhou rapidamente por todo o nordeste brasileiro atraindo milhares de romeiros a Juazeiro. Em Iº de maio de 1891, 20 mil pessoas presentes à missa realizada na matriz de Juazeiro assistiram ao momento em que a hóstia, novamente em contato com a boca da Beata, se transformou em sangue! Entre todos se destacava um médico do Rio de janeiro, Dr. Marcos Madeira, que clinicou imediatamente Maria de Araújo, a qual  apresentava um estado de êxtase, total arrebatamento espiritual, e de sua boca entreaberta, foi retirada a partícula de massa, ministrada na eucaristia, com marcas de sangue. Verificou também o médico que no corpo da Beata havia feridas sanguíneas nos pés, mãos, nas vértebras dorsais e  testa. Para espanto de todos, do corpo de Maria de Araújo brotava sangue nos mesmos lugares do Cristo crucificado!  Um milagre divino em pleno sertão nordestino!
            Contrariando a expectativa geral, em 18 de novembro de 1891, a Igreja Católica se pronunciava sobre os fenômenos ocorridos em Juazeiro, taxando-os de enganosos e falsos e não aceitando como científico o laudo emitido pelo Dr. Marcos Madeira  afirmando que Beata não estava doente e garantia que a aparição da hóstia era “(...) um fato sobrenatural para o qual não me foi possível encontrar explicação científica (...)”.
            Vale ressaltar que Dom Joaquim, Bispo da Diocese do Ceará, enviou para Juazeiro uma Comissão de Inquérito com o intuito de apurar os fatos ocorridos e foi constatada pelos integrantes a veracidade absoluta dos fenômenos sucedidos. Inconformado, Dom Joaquim mandou uma segunda inquisitiva que chegou ao resultado aspirado pelo Reverendo negando, desta forma, a possibilidade de manifestação milagrosa.
            Daí em diante a repressão eclesiástica se fez presente. No dia 10 de novembro de 1891, uma portaria de Dom Joaquim proibia a todos os sacerdotes de sua jurisdição de confessar, pregar e celebrar qualquer festa religiosa na cidade de Juazeiro.
            Já em 1897, a Igreja católica ameaçava o Padre Cícero de excomunhão caso não se retirasse do povoado no prazo de 10(dez) dias.
            Por fim, veio a palavra final da Igreja através da Suprema Congregação da Santa inquisição Romana Universal condenando definitivamente os milagres em Juazeiro.
            Hoje, cento e vinte anos após a ocorrência dos pretensos milagres, cem anos depois o falecimento da Beata, a Igreja ainda reluta em aceitar a transformação da hóstia em sangue e os estigmas de Maria de Araújo como milagre. Ainda é difícil a Igreja concordar que Deus possa ter se manifestado a um povo subdesenvolvido... Ela aceita como milagroso qualquer fato inexplicável e provado... se ocorrido na Europa.
             O povo, porém, teve a coragem de santificar um homem, o Padre Cícero, que um século antes da própria Igreja fez a opção pelos pobres. O povo teve a ousadia de cultuar uma mulher analfabeta, negra, no caso, Maria de Araújo.  Quem pode duvidar? Afinal como disse o Profeta Isaías 43;13 “Agindo Deus quem impedirá?

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Por que o Padre Cícero foi excomungado?

José Pereira Gondim

Há mais de cem anos a Igreja Católica Apostólica Romana excomungou o Padre Cícero Romão Batista, todavia, ultimamente já chega a celebrar missas em honra de sua memória, nas quais lhe dá "vivas" em abundância, muito embora nunca tenha sinalizado com uma data certa, onde um perdão oficial por parte dessa Entidade seria adicionado a sua trajetória de bom cristão. Durante longo período, no Brasil e por todo mundo católico, beatos e santos foram surgindo, no entanto, um ato de amor e perdão por parte da Igreja, e no tocante ao Padre Cícero, jamais foi cogitado, o que suscita as indagações: Onde andará esse amor pregado pela Igreja? E o apregoado perdão, onde reside? O Imperador Romano Flávio Valério Constantino (São Constantino) foi "guindado" a santo pela Igreja, apesar de ter mandado matar um filho, a esposa, dois meios irmãos, três sobrinhos e o sogro, enquanto o Padre Cícero não se enquadra em nenhum ato de violência. Muito pelo contrário foi conselheiro da massa, dos miseráveis, Prefeito, Deputado Federal e Vice-governador do Estado do Ceará. Foi também eleito o cearense do século, homenageado com a terceira maior estátua de concreto do mundo, e, além do filho mais ilustre de Juazeiro do Norte, a segunda maior cidade do Ceará, seu nome, literalmente é responsável por uma das maiores romarias do Brasil, ou a visita, exclusivamente a seu túmulo, anualmente, por 2,5 milhões de romeiros, ou pessoas de todos os extratos sociais do Nordeste, do País.

Quando a Igreja vai devolver as ordens sacerdotais do filho mais ilustre do Juazeiro, Padre Cícero Romão Batista excomungado há mais de um século?

Quando também devolverá os restos mortais da beata Maria de Araújo exumados clandestinamente por monsenhor José Alves de Lima visando o seu "descanso" em local conhecido e de acordo com a tradição cristã?

O entendimento do pretenso milagre do Juazeiro é uma questão meramente de fé (assim como falou Pio XII sobre a existência de Jesus, num Congresso sobre História, em 1955), pois os fatos "miraculosos" envolvendo sangue, como San Genaro, em Nápoles, e outros mais na Europa, além de polêmicos não são unanimidade quanto à procedência sobrenatural. Se você é juazeirense, nordestino, simpatizante da causa da reabilitação do sacerdote, romeiro residente ou não na Cidade, admirador ou não do Padre Cícero, mas, uma pessoa inimiga de injustiças tem plena condição de atuar na reversão do quadro (devolução in memoriam das ordens sacerdotais) mostrando a Igreja que faz parte daqueles que não veem com bons olhos esse comportamento cínico (celebra missas, e dá "vivas" ao Padre Cícero, no entanto, se nega a dar-lhe o perdão) e oportunista da Entidade. Junte-se a mim nessa "cruzada" e quando formos milhares, milhões a gente marca a data desses eventos, pois nada nesse mundo pode ir contra a vontade do povo unido e ciente do que quer, e nem mesmo a Igreja. O Vaticano sabe disso pode crer!

"Não seria justo e honesto trocar-se tanta missa e "vivas" em homenagem ao Padre Cícero por um pouco de amor e perdão através da Igreja e traduzidos na devolução de suas ordens sacerdotais"? "O "perdão informal" é ganhar tempo, não tem valor"!

"A Igreja pode até não querer, mas, os devotos e admiradores do Padre Cícero exigem dela a devolução de suas ordens sacerdotais, plenamente confiantes de que a 'voz do povo é a voz de deus', ou essa Entidade ignora ou não sabe disso"?

O perdão do Padre Cícero só depende de você! Use uma camisa, porte um cartaz ou uma faixa exigindo esse perdão que a Igreja cede. Faça circular um manifesto igual a este, na próxima semana, no próximo mês que a Igreja muda de atitude!

Durante quase um século, os fiéis, devotos e admiradores do Padre Cícero rezaram benditos, jaculatórias e nada conseguiram. E chegado o momento dos "manifestos, das passeatas", do contrário vamos morrer sem constatar a mínima mudança!

Afinal, que significam amor e perdão para a Igreja? Esperar mais cem anos? Já basta de Comissão de Estudos que a nada leva. Se a Igreja a não muda, mude você!

Assim como eu tome a iniciativa e reproduza esse manifesto, ou crie outro, no entanto, junte-se a mim e quando formos milhões a Igreja acorda, desce do muro!

NOTA: Não vai ser completamente estranho pra esse Autor, se pessoas que se dizem devotos, admiradores do Padre Cícero, mas, que nunca tiveram qualquer tipo de iniciativa para com o problema, ou de se exigir formalmente uma solução da Igreja sobre o assunto entenderem que o mesmo procura se promover. Pensem o que quiserem, mas, seu objetivo está ligado ao combate à injustiça tomando por base uma declaração de Martin Luther King: "Para criar inimigos não é necessário declarar guerra a eles, basta somente que você diga o que pensa". AMÉM!

José Pereira Gondim é um cidadão que abomina oportunismo e injustiças, autor das trilogias (livros): A Forja do Cinismo e Jesus e o Cristianismo, onde esse e outros temas conflitantes são tratados com responsabilidade, mas, sem eufemismos. Como não se trata de denúncia anônima o documento é assinado, pois a Igreja poderá optar em excomungá-lo, processá-lo, ou mesmo torná-lo "persona non grata" por se manifestar diferentemente da maioria.






terça-feira, 24 de junho de 2014

O Padre Cícero é santo - Fernando Azevedo

É Deus o único Santo por Si próprio, assim nos ensina a Tradição Católica. Dizemos muitas vezes na Missa: Só Vós sois o Santo, Só vós o Senhor. Entretanto, graças à Redenção operada por Nosso Senhor Jesus Cristo, atualizada na Igreja pelo Espírito Santo, todo batizado é portador da santidade, presença viva nele, do próprio Jesus Cristo; cujo Espírito nos santifica, e conduz à santificação completa, "sem a qual ninguém verá o Senhor". Não é a Igreja que santifica, mas Cristo, Vivo e atuante na Igreja, Quem santifica os fiéis pelo Seu Santo Espírito. A Graça, com efeito, não é dada somente para remissão dos pecados, mas também para incremento de vida sobrenatural, sempre frutífera, fecunda em boas obras. Jesus deu a receita para que todos tivéssemos nEle a santidade, que é a vida espiritual da Graça. "Todo ramo que permanece unido a mim, frutifica". O Padre Cicero é santo, porque sua vida, suas boas obras, seu testemunho de fidelidade à Igreja, mesmo em contradições institucionais, são inegáveis. O próprio Jesus nos deu o sinal de verdadeiros profetas: "Pelos seus frutos os conhecereis". O Padre Cícero foi e é até hoje, arauto da unidade na Igreja, símbolo vivo de uma Igreja que é ao mesmo tempo militante, padecente e triunfante. Uma Igreja composta de homens, mas por Graça e Presença Viva do Fundador, SANTA. Todos nós somos chamados a ser santos. "Sede santos como Eu Sou Santo". E para ser santo não precisa, como já foi dito, nem rezar muito, nem sofrer muito...Mas AMAR muito. Cada um de nós pode amar e dar um pouco mais de amor à Igreja, à humanidade, e ao mundo. O Padre Cícero fez isso a vida toda, amando e servindo os irmãos. Não fez dos "milagres" sua bandeira, mas dos pobres, a sua missão, como genuíno seguidor de Cristo pobre. Foi aos pobres que destinou Deus por Jesus, o anúncio do Evangelho. Ele mesmo o afirmou: "para proclamar o Evangelho aos pobres". E o Padre Cícero foi fiel, como santificado pelo Espírito da Vida e da Verdade, a lutar pela vida, e proclamar a Verdade da libertação evangélica aos pobres, dos quais é o Reino dos Céus. À medida que a Igreja se aproxima mais das suas fontes primitivas, reconhecendo seu tesouro verdadeiro, que é como já dizia São Clemente, Papa...OS POBRES...Aqueles testemunhos mais vivos da santidade próxima da santa pobreza, são reconhecidos, são declarados santos e assim canonizados. Temos agora um Papa com nome de FRANCISCO, e é de esperar que em breve tenhamos mais um santo dos pobres, um santo do povo, o Padre Cícero de Juazeiro. Assim Seja. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dom Samuel Dantas de Araújo: três sonetos sobre figuras da história do Ceará

O BISPO DOM JOAQUIM…

Como tantos outros antes de vós
Ao funesto cancro da inveja sucumbistes
Movendo a nosso padim, perseguição sem limites
Injusta, iniqua, criminosa e atroz

Vós, um alto dignitário da santa Igreja
Procedestes como um feroz tirano
Impiedoso, autoritário e desumano
Vítima do monstro chamado inveja

Por vossa causa, um homem justo e santo
No silêncio do seu calvário, padeceu tanto!
Como se da humana justiça fosse um réu…

Vos  comportastes como os vís algozes
De Jesus, que entre sarcasmos e blasfêmias atrozes
Deram-lhe para beber, amaríssimo fel.

A BEATA MARIA DE ARAÚJO

A semelhança do divino e manso cordeiro
Fostes neste mundo duramente perseguida
Passastes todo o curso de vossa sofrida vida
Misticamente cravada em um madeiro

Sem terdes tido jamais um instante de sossego
Trazíeis em vosso peito, de Cristo o amor
No corpo  portáveis  as dores do vosso Senhor
Perseguida por um invejoso néscio e cego

Deus porém, que não deixa sem copiosa recompensa
Quem nesta vida o serve, buscando-lhe a glória
Vos reservou no céu uma alegria imensa!

E já que estais, ó beata, de Deus tão perto
Rogai pelos que defendem na terra vossa memória
Enquanto peregrinam neste árido deserto.

AO PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

Fidelíssimo dispenseiro da palavra divina
Digno administrador dos santos sacramentos
Santo entre os santos, bento entre os bentos
Cuja vida, nosso Cariri até hoje ilumina.

Pastor piedoso, que elegestes a dama pobreza
Como a suave companheira de vossa vida
Que fizestes da salvação do próximo, vossa ocupação preferida
E tivestes somente no céu, a única e verdadeira riqueza.

Vós que passastes por este mundo qual uma estrela
Peregrina, por Deus destinada a espargir a divina luz
Nos miseráveis perdidos que não conseguiam vê-la…

Ó santo já canonizado por todo querido nordeste
Na excelsa ventura da pátria eterna e celeste
Rogue por seus devotos ao Senhor Jesus…


quinta-feira, 3 de abril de 2014

SONETO LAUDATÓRIO AO PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

Ó tu que passaste por este vale de dor
de miséria, de erro, de desacerto, de pranto
semeando a paz, a verdade e o amor
qual verdadeiro cristão, um autêntico santo

tu...que sentiste dos homens a inveja
e por iníquos decretos foste condenado
tu...que sempre obediente a santa igreja
soubeste a calunia odiosa sofrer calado!

tu que neste mundo...pavoroso caos
onde não raro triunfam os maus
viveste desprendido dos bens passageiros!

tu...que já ultrapassaste a tão temida morte
roga por essa multidão de cansados romeiros
que sempre acorre a teu Juazeiro do Norte!

Salvador, 2 de Abril de 2014
DOM SAMUEL DANTAS DE ARAÚJO, OSB
Monge do Mosteiro da Bahia
Zelador do Noviciado

domingo, 23 de março de 2014

Juazeiro do Norte comemora 170 anos de Padre Cícero Romão

23.03.2014
O aniversário será lembrado com várias atividades, entre elas uma Caravana que percorrerá o Brasil


Sacerdote ainda é venerado por milhares de fieis
de muitas regiões do Nordeste.
Foto: Eduardo Queiroz
Juazeiro do Norte. Um santo, visionário, profeta, conselheiro das massas ou um homem extraordinário. Todas essas definições podem caber muito bem para o cearense que ultrapassa as fronteiras da transcendência. Aos 170 anos de aniversário, completados amanhã, o Padre Cícero Romão Batista, 80 anos após a sua morte, chama a atenção de estudiosos de diversas partes do mundo.

Livros lançados sobre sua vida se tornam best-seller ou são até reeditados depois de quatro décadas. As obras também tornam-se produtos atrativos para uma boa leitura, pela análise de sua história.


Diante da dimensão da data de aniversário do religioso tão conhecido pelo Brasil afora, a partir da próxima quarta-feira, 25, sai por diversos estados do Brasil a Caravana do Meu Padim, com várias relíquias do sacerdote e do município de Juazeiro do Norte.

O caminhão, que leva muitos pertences importantes do religioso, irá percorrer os municípios brasileiros com uma instalação itinerante e bem diversificada para atrair olhares de curiosos e também de pesquisadores.

O percurso de milhares de quilômetros a ser seguido pela caravana pelo País afora, ainda é indefinido quanto à quilometragem. Durante a viagem serão colhidas assinaturas durante a viagem, para serem entregues ao Papa Francisco, como forma de chamar a atenção para o processo de reabilitação.

Os documentos pertinentes ao assunto já foram entregues pela comissão de reabilitação à Congregação para a Doutrina da Fé, em 2006. Ainda hoje não se tem nenhuma informação sobre o andamento do processo.

História e estudos

Muitas são as atividades para lembrar o
aniversário natalício do religioso, tão amado
 por seus devotos, entre elas uma Caravana
intitulada Meu Padim com reliquias do sacerdote
e também do município.
Foto: Elizângela Santos
O Padre Cícero Romão Batista nasceu no dia 24 de março de 1844, na cidade de Crato, e morreu, 90 anos depois, no dia 20 de julho de 1934. Em março de 1865, ingressou no Seminário de Fortaleza, para seguir a carreira eclesiástica, onde foi ordenado em novembro de 1870.

Em abril de 1872, com 28 anos de idade, Padre Cícero Romão passou, então, a residir em Juazeiro do Norte, onde foi vigário e também prefeito.

O religioso por anos vem sendo analisado por muitos estudiosos. Prova disso é que pesquisadores, este ano, irão se debruçar nos estudos do IV Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero E ...Onde está ele?, que será realizado de 16 a 20 de setembro deste ano.

A temática do evento mais um vez envolve o sacerdote, em busca de maior aprofundamento dos estudos sobre a atual condição em que é visto pela sociedade e o que ainda poderá ser explicitado a seu respeito, do ponto de vista da natureza histórica, sócio-política, antropológica, dentre tantos outros aspectos.

Enquanto o Simpósio não é realizado o Padre Cícero Romão será lembrado de outra forma: através da Caravana do Meu Padim. Para o coordenador da Caravana, Marcelo Fraga este será mais um grande itinerário, desta vez a ser seguido Brasil afora, para levar o nome e a história do religioso até as pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de estar em Juazeiro do Norte.

Ele está ansioso quanto à surpresa que a caravana poderá causar, mas ao mesmo tempo lembra que ano passado a exposição com as relíquias do Padre Cícero foram expostas no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), no bairro do Limão, em São Paulo, quando na oportunidade, percebia nas pessoas que visitaram o espaço a alegria de estar tendo acesso ao material.

Para o escritor Geraldo Menezes Barbosa, aqueles que jamais pensaram em ver algo relacionado à história do Padre Cícero, chegam em Juazeiro do Norte e parecem sentir que tudo foi verdade, pela expressão da segurança como os objetos pertencentes ao religioso aparecem aos olhos do moderno. "Mostra a verdade e o que era a beleza histórica do Padre Cícero", disse.

Mais fiéis

São quase 90 anos de vida do religioso e o escritor afirma não acreditar que as romarias estejam diminuindo, mas se multiplicam com as novas gerações. "Mudaram os números, mas o poder da fé continua da mesma maneira", avalia. Quanto à reabilitação do Padre Cícero, ele não acredita que haja tão cedo o reconhecimento. Conforme avalia, a Igreja sempre estará protelando essa análise e isso confirma que já foi decido pela igreja. "Mas a fé do Padre Cícero tem a força da imortalidade", ressalta.

Ainda conforme o escritor Geraldo Menezes, mesmo após os 170 anos de nascimento do Padre Cícero Romão, há mudanças na forma de ver o sacerdote, a partir das novas gerações. "O mundo é uma eterna mudança, mas no fundo, a história de Juazeiro do Norte tem essa raiz inabalável, que é o produto do milagre", afirma.

No dia 20 de cada mês, a data tradicional das missas do Padre Cícero, reúne na praça do Socorro milhares de pessoas e não foi diferente na data anterior ao seu aniversário, e também amanhã, cedo, quando será cantado o parabéns ao homem que se tornou santo para muitos sertanejos. "Esse, que significa um pai amoroso. Mesmo antes de ser afastado de ordens, já era considerado dessa forma pelos romeiros que o procuravam para conversar, pedir orientações e conselhos a ele", afirma o escritor Geraldo Menezes.

Bom sacerdote

"É uma expressiva demonstração de fé a uma pessoa santa, um padre virtuoso que morreu com a punição de suspensão das ordens declarada pela Igreja, da qual nunca se afastou", diz o pesquisador Daniel Walker.

Para ele, Padre Cícero Romão Batista está canonizado pelo povo cearense, e de outras regiões, e a própria igreja sabe disso. "Padre Cícero é uma das personalidades mais festejadas que conheço. Até no aniversário de morte, dia 20 de julho", diz Walker, ao traduzir de forma simples o carisma e a grande devoção popular ao pároco, que fundou o município de Juazeiro e incentivou o seu desenvolvimento, sob o lema da fé e do trabalho.

Programação

A Semana Padre Cícero, dentro da programação pertinente ao seu aniversário natalício, inclui desde encontros e debates, a elaboração do tradicional bolo de aniversário, a ser instalado na praça do Socorro, a 32ª edição da Corrida Padre Cícero, que sairá da Praça da Sé, no Crato, chegando na Praça Padre Cícero, em Juazeiro, e a apresentação de grupos de tradição popular.

O Padre Cícero sempre gostou de comemorar o seu aniversário. Tanto que festejou os seus 90 anos com grande festa na cidade. Nesse dia foi feriado e começou com uma alvorada festiva e show pirotécnico, além de um almoço servido em sua casa.

O feriado continua, tanto que em todo o Estado, no dia 19 o comércio, escolas e repartições públicas são fechados, mas a cidade dá preferência à data de 24 de março, e funciona normalmente no Dia de São José. E tem também o bolo gigante. Os parabéns e o apagar das velas para o aniversariante acontece pouco depois da meia-noite.

Mais informações:

Caravana do Meu Padim
Rua Padre Cícero, 499
Centro
Juazeiro do Norte - CE
Telefone: (88) 8827.4015

Elizângela Santos
Repórter

FIQUE POR DENTRO
O suposto milagre do religioso

Em 1889, durante uma comunhão, a hóstia consagrada por Padre Cícero sangrou na boca de uma beata chamada Maria de Araújo. O povo considerou o fato um milagre. As toalhas utilizadas para limpar o sangue tornaram-se objetos de adoração. A notícia espalhou-se e Juazeiro começou a ser visitada por peregrinos, com a finalidade de conhecer de perto o religioso. Padre Cícero chegou a ser acusado por membros da Igreja de manipular a fé das pessoas e cometer uma heresia. O 'fenômeno' tomou proporções com sua divulgação em todo o Nordeste e foram realizados vários questionamentos sobre a veracidade do 'milagre'. A beata chegou a ser levada ao Crato, e o sacerdote foi punido com a suspensão de ordens, em 1894. Mesmo assim, uma grande quantidade de pessoas vinha à sua procura, e ele atendia com atenção e aconselhava a todos. Mesmo proibido de celebrar, ele lutou para ter a permissão da igreja. No ano de 1898, chegou a ir à Roma, encontrar-se com o papa Leão XIII. Durante a visita, ainda chegou a receber autorização parcial, mas ainda estava proibido de celebrar. Mesmo assim, continuava com suas orações junto com o povo, em Juazeiro.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Deus assina em baixo

Pedro Nunes Filho

Reabilitar Padre Cícero, por quê? O que ele fez de errado? Cometeu algum delito? Criminosos que andam na deslei é que precisam de reabilitação para se reinserirem no convívio social, e não mais voltarem a delinquir. 

Padre Cícero foi um homem de bem, um benfeitor da região que soube acudir o povo em estado de miséria absoluta.

A meu ver, quem precisa de reabilitação é a Igreja que errou feio. Roma é que carece se postar de joelhos e pedir perdão ao Padre Cícero e a todos os romeiros, que entenderam e incorporaram sua mensagem de fé, de simplicidade, humanismo e sabedoria. 

Padre Cícero já é santo e da forma mais legítima que pode haver: pelas mãos do povo ele subiu aos altares das casas humildes, sem precisar de processo de beatificação, muito menos de vultosos gastos com ridícula canonização, como costuma acontecer com pretensos santos. 
Acho que ninguém, ninguém mesmo, tem o poder de dizer que uma criatura é santa ou não. Na verdade, somos todos santos porque participamos da essência divina. Isso é o que importa. O julgamento dos homens e da Igreja é absolutamente irrelevante e dispensável. O homem é santo porque o povo assim o quis e Deus com certeza assina em baixo.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A voz do povo é a voz de Deus?

   Lauro de Sá Barreto(*)  

      Agora é oficial: o próprio papa Francisco anunciou para breve a canonização do Padre Anchieta, após quase 400 anos de espera pela conclusão do respectivo processo, que teve início em 1617.
         Será o terceiro santo brasileiro. Nossa primeira santa foi a Irmã Paulina, nascida na Itália e radicada ainda criança em Santa Catarina, e o segundo, este sim genuinamente brasileiro, Frei Galvão, paulista de Guaratinguetá.
         Vem agora o espanhol de origem judaica José de Anchieta, natural das Ilha Canárias, onde nasceu em 1534, e brasileiro por adoção, pois aqui chegou aos dezenove anos de idade, onde desenvolveu notável trabalho de catequese entre os nativos. Foi um dos fundadores da cidade de São Paulo, poeta, historiador e estudioso da língua tupi. É, merecidamente, considerado como o Apóstolo do Brasil.
         Três santos, dois deles “naturalizados” brasileiro, é muito pouco para o país de maior rebanho católico do mundo. Os Estados Unidos, onde o catolicismo não tem a mesma força, já possui doze santos reconhecidos pelo Vaticano e quase todos legítimos filho da terra.
         Além deste minguado número de santos, é muito recente a presença de brasileiros nos altares da Igreja Católica: nossa primeira canonização, da Irmã Paulina, só ocorreu em 2002. E os processos mais antigos, como o da Madre Maria José de Jesus, filha do historiador Capistrano de Abreu, costumam ficar empacados anos a fio. Recentemente, a jornalista Anna Ramalho, sobrinha neta dela, publicou veemente artigo na imprensa reclamando da demora na canonização daquela que foi a primeira carioca beatificada, lá se vão mais de 20 anos.
         O mais grave, no entanto, é que nossos santos padecem de um “grave pecado”: não são bons de bilheteria, ou seja, não atraem uma plateia expressiva de devotos. É de se perguntar: você conhece algum devoto da Santa Paulina, do São Galvão ou do futuro São José de Anchieta? É difícil...
         Embora essa constatação não retire o mérito ou o grau da santidade de cada um deles, a verdade é que são santos que não empolgam a comunidade católica brasileira. E esta parece ser a tendência das próximas canonizações que podem se avizinhar, como, por exemplo, a da menina Odetinha e a do casal Zélia e Jerônimo, com processos de beatificação recentemente abertos com grande alerde pela Arquidiocese carioca: meros desconhecidos do grande público. E os próximos nomes cogitados vão pelo mesmo caminho: o médico surfista Guido Shäffer, cujo processo deve ser instaurado em maio deste ano, e o teólogo Padre Maurílio Teixeira-Leite Penido, que viveu maior parte de sua vida na Europa e é pouco conhecido entre nós.
         De apelo popular visível e considerável, só mesmo o Padre Cícero, cujo processo de reconciliação da Igreja com ele ainda engatinha lerdamente pelos corredores da Santa Sé, e a mineira Nhá Chica, de Bependi, recentemente beatificada, mas longe ainda da canonização. Ambos contam com imensa aceitação na devoção dos fiéis, embora a Igreja ainda não os tenha declarado santos.
         Fora isso, nossos candidatos à santidade possuem diminuta torcida de devotos, o que de certa forma torna sem graça suas candidaturas e lança uma dúvida: será que a voz do povo, que já consagrou o Padre Cícero e Nhá Chica, é mesmo a voz de Deus? Ou em matéria de santidade isso não tem nenhum valor?
         A Igreja precisa refletir sobre este tema reconhecer as opções da devoção de seu rebanho pode ser um caminho para ajudar conter o crescente enfraquecimento do Catolicismo.
             
______________
(*) advogado e escritor

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Época de romaria

Pedro Nunes Filho

Um mar de gente espalhada por toda parte. Em sua maioria, pessoas humildes, provenientes de vilarejos e sítios perdidos em terras distantes. No semblante de cada um, convicção e serenidade. Mesmo os que ali estão premidos pelos arrochos da vida e pela miséria não deixam transparecer suas dores, antes, semblantes de alegria e serenidade. Alguém que não tenha conhecimento do fenômeno religioso que um dia aconteceu de acontecer aos pés daquela serra imensa e lendária não teria a menor ideia da movimentação pacificiosa que ali se desenrola aos olhos de todos. Para uma aglomeração tão grande de pessoas, a única razão é a fé, a busca do transcendental. Acaso a motivação fosse outra, bastaria um barbudo qualquer metido a revolucionário dar um grito e pronto! A confusão seria grande naquele mar imenso de necessidades humanas. Mas o propósito de cada um ali, como já disse, é o exercício da fé, o desejo de agradecer, a crença num Deus que atende àqueles que suplicam e imploram a proteção divina. Basicamente, pedem chuva, pão, saúde, cura para os males que afligem o corpo e dilaceram a alma. 

Gente de todas as idades num exercício de amorosidade em duas dimensões: Deus e o próximo. Em cada esquina, penitência, orações e louvores. O Deus daquela gente humilde tem forma humana. Não conseguem crer num ser abstrato ou num conjunto de energias vitais responsável pela criação de múltiplos cosmos e de essências imutáveis. Seria irreal, distante. Melhor um Deus forte, valente, guerreiro, à moda do Antigo Testamento, sempre ao lado de seu povo na hora das necessidades que são tantas e desconhecidas dos governantes. Suas carências exigem respostas concretas, soluções radicais e imediatas. Não dar mesmo é para esperar. Não podem! Para muitos, esperar significaria morrer. Morte é tragédia, fim, fracasso existencial. Por isso, tanto sacrifício para obter graças e favores no plano material.

Muitos ali estão em busca de perdão por deslizes, fraquezas humanas ou por terem trilhado os caminhos da deslei. Não importa. O que vale mesmo é a presença, o testemunho e a fé num homem de palavra forte que ainda hoje consegue arrebanhar multidões e tangê-las para a banda de Jesus.

Verdade: quem passa por aquele reduto tido como sagrado nunca mais é o mesmo. Alguma coisa, por menor que seja, melhora em suas vidas depois de erguerem seus chapéus de palha para a bênção e de vivenciarem o exercício da caridade e do perdão. Humildade, arrependimento, penitências e ofertas para construir aquele reduto dedicado à benemerência são demonstrações concretas que atraem o olhar divino.
Melhor que um santo ausente ou distante é um pecador que incorpora as dores e sofrimentos do povo e delas participa, tentando minorá-las.   Ele era assim: de braços abertos, recebia chagados de lepra, aleijados, feridentos, cegos, loucos e todo tipo de criaturas que fediam e davam repugnância. Para ele, a alma não tem cheiro. Nem bom nem ruim. Com esta visão, recebia criminosos, cangaceiros, prostitutas, viciados, pessoas vítimas de injustiça, perseguição política, descriminação social ou qualquer outro tipo de degradação humana. Estava convicto de que o amor e a solidariedade é que dão significado à vida. Conselhos sábios, soluções práticas. Já naquele tempo, recomendava cuidados com o meio-ambiente.

Não elogiava nem condenava ninguém. Apenas escutava e compreendia. A solidariedade era uma nova forma de representar o sagrado, a única capaz de revolucionar a existência humana em qualquer época. 
Com a ação daquele homem, surgiu um humanismo preocupado em fortalecer o espaço público, coletivo e político em benefício de todos, mas especialmente daqueles que nada possuem. Incentivador de artes, ofícios e saberes, uma porta aberta para o trabalho e a profissionalização. Deu exemplos de como sair de si, de como superar o egocentrismo individualista e a opulência da instituição a que pertencia. Sua ação solidária se voltou para as pessoas, não para as abstrações. Dedicou seu tempo aos seres humanos de carne e osso, sacralizados pelo amor. Neste sentido, refundou um novo tempo que sequer foi percebido. Pregou uma transformação que atinge todos os setores da vida humana, uma mudança de perspectiva no plano coletivo. O sagrado não estava no cosmo, mas no outro. 

Não pretendo aqui embelezar os fatos, mas reexaminá-los sem os ranços de ideologias, preconceitos ou dogmas. 
Justiça!
___________________
O AUTOR. Pedro Nunes, residente em Recife, é advogado e escritor, autor de vários livros entre os quais Guerreiro togado, que tem um capítulo sobre o Padre Cícero.  

sábado, 5 de outubro de 2013

Padre Cícero, um Bezerra de Menezes


Alguns ancestrais do Pe. Cícero pertenciam à Família Bezerra de Menezes. Quem lê estudos mais aprofundados sobre a biografia de Cícero Romão Baptista, o padre secular que revolucionou a Povoação do Joazeiro, entre 11 de abril de 1872 - quando chega na povoação para residir, na companhia de sua família (a mãe Joaquina Vicência – chamada Dona Quinô, duas irmãs – Mariquinha e Angélica, e uma escrava, Terezinha) e 20 de julho de 1934, quando falece - deve ter encontrado alguns destes registros. As suas tetravó e trisavó paternas, respectivamente, Petronila Bezerra de Menezes e Ana Maria Bezerra de Menezes, filha de Petronila, eram relacionadas por genealogistas como oriundas da contribuição étnica da família, dos troncos existentes entre velhos povoadores da Bahia, de Pernambuco e de Sergipe, especialmente. Contudo, as ressalvas eram feitas, admitindo-se que eventualmente fossem estes ancestrais consanguíneos. Levantamentos mais recentes mostram de forma inequívoca, as relações familiares destes avoengos com as mesmas heranças espanholas e portuguesas já referidas para a ancestralidade do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. O nono filho do casal Bento Rodrigues Bezerra e Petronilla Velho de Menezes, se não teve uma grande importância no povoamento do Cariri, menor não é o significado de sua descendência, especialmente, para Juazeiro do Norte, pois representou o berço do patriarca da extensa Nação Romeira, o reverendíssimo padre Cícero Romão Baptista . Assim:
1. João Bezerra de Menezes matrimoniou-se com Maria Gomes, e foram os pais de:
2. Petronila Bezerra de Menezes que casou com o Cap. João Carneiro de Morais, e geraram:
3. Ana Maria Bezerra de Menezes, que desposou o Cap. Francisco Gomes de Melo, pais de:
4. José Gomes de Melo, capitão, de cujo enlace com Ana de Farias, tornaram-se pais de:
5. Vicência Gomes de Melo, que uma vez casada com José Ferreira Castão, foram os pais de:
6. Joaquina Vicência Romana (ou Joaquina Ferreira Castão – Dona Quinô), de cujo casamento com Joaquim Romão Baptista Mirabeau, foram os pais de:
7. Padre Cícero Romão Baptista.

Por conseguinte, o Pe. Cícero Romão Baptista é um Bezerra de Menezes. Neste caso, sem nenhuma dúvida, este parentesco com os povoadores do Sítio Joazeiro se verifica bilateralmente, pelos lados materno e paterno. (Daniel Walker e Renato Casimiro)

domingo, 22 de setembro de 2013

Igreja prepara reabilitação de Padre Cícero -

Processos de reabilitação e, depois, de oficialização como beato e santo, estão sob exame do papa Francisco. Ele decidirá se o Padim Ciço do Juazeiro, que se tornou líder popular no início do século passado, será beatificado e canonizado numa de suas duas visitas ao Brasil, previstas para 2017 e 2018.
    
O padre Cícero Romão Batista, o maior líder religioso e político do interior do Ceará, nos anos 30, já foi reabilitado, na prática, pela Igreja Católica Romana, depois de ter sido silenciado e excomungado há mais de 100 anos. Os processos de reabilitação e, depois, de oficialização como beato e santo, estão sob exame do próprio papa Francisco. Ele decidirá se o Padim Ciço do Juazeiro será beatificado e canonizado numa de suas duas visitas ao Brasil, previstas para 2017 e 2018.

Seu nome já integra, como referência para a comunidade católica, o programa oficial do 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), que será realizado de 7 a 14 de janeiro de 2014, em Juazeiro do Norte, a cidade do padre Cícero, a 500 km de Fortaleza, sobre o tema “Justiça e Profecia a serviço da Vida”.

As Cebs foram duramente afetadas pela política neoconservadora dos papas João Paulo II e Bento XVI, mas nunca deixaram de se reunir, inspiradas na Teologia da Libertação e nos documentos aprovados pelo Concílio Vaticano. Vários líderes assassinados por participarem das lutas populares urbanas e rurais – como é o caso de Chico Mendes, padre Josimo Moraes Tavares, Santo Dias da Silva, Margarida Maria Alves, Marçal Tupã-Ý e irmã Dorothy Stang – participaram do trabalho das comunidades de base.

Nove encontros preparatórios e círculos bíblicos já começam a ser realizados em todo o Nordeste, preparando o intereclesial de janeiro. O encontro terá também a participação de representantes de outras igrejas cristãs que apoiam o diálogo ecumênico (Luterana, Presbiteriana, Anglicana, Católica Brasileira, Ortodoxa, entre outras).

Semiárido
Um dos temas a serem debatidos em Juazeiro será o papel dos beatos e sua atuação na realidade do sertão semiárido nordestino. “Essa região – diz o texto-base das CEBS – é marcada pela violência no campo, pela luta pela terra e pela concentração da pobreza e da miséria, mas o semiárido não é apenas clima, vegetação, solo, sol ou água. É povo, música, festa, arte, religião e política. É um processo social”. Para as Cebs, a realidade nordestina exige uma verdadeira revolução cultural, que passa pela dimensão religiosa do povo do sertão.

O recurso à história é incluído no texto-base das Cebs como algo fundamental nesse resgate do catolicismo popular. Os “desvalidos dos currais do coronelismo sertanejo” partiram, em massa, no final do século XIX e começo do século XX, para o sertão do Cariri. Esses homens e mulheres empobrecidos já haviam ouvido falar do Padim Ciço, um missionário que anunciava a terra prometida. Sabiam do “milagre da hóstia” que tinha se transformado em sangue quando dada à beata Maria Madalena do Espírito Santo de Araújo. Nesse período histórico aconteceram várias rebeliões de camponeses pobres em Canudos (1896-1897), Contestado (1912-1916) e Caldeirão (1926-1937).

A religiosidade popular desses sertanejos chocou-se com a ortodoxia do catolicismo dominante. O padre Cícero foi destituído de suas funções e expulso da Igreja. Chegou a viajar ao Vaticano para tentar o perdão do Papa, sem sucesso. Tornou-se o líder político de sua região. Cumpriu até mesmo missões políticas a serviço do governo federal: ofereceu, por exemplo, ao líder do cangaço, Lampião, uma patente de capitão, se envolvesse os cangaceiros na resistência armada à Coluna Prestes.

Preceitos ecológicos
O Padim Ciço tornou-se um líder popular e, já naquela época, tornou-se defensor do meio ambiente. No encontro das Cebs, serão distribuídos folhetos com os 10 conselhos ecológicos elaborados por Cícero: 1. Não derrube o mato, nem mesmo um pé de pau; 2. Não toque fogo no roçado em na catinga; 3. Não cace mais e deixe os bichos viverem; 4. Não crie o boi nem o bode soltos faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer; 5. Não plante em serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e para que não se perca a sua riqueza; 6. Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água de chuva; 7. Represe os riachos de 100 em 100 metros, ainda que seja com pedra solta; 8. Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá, ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só; 9. Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca; 10. Se o sertanejo obedecer a esses preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá o que comer. Mas se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai vira um deserto só. 

A notícia acima foi estampada no
e foi enviada pela nossa colaboradora Maria do Carmo. 
Com a participação das CEBs é possível que o processo de reabilitação do Padre Cícero ganhe novo ânimo. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

PADRE CICERO: ADVOGADO CRIMINALISTA - Por Arão Pereira e Silva Neto

      Ao se falar na figura ilustre do padre Cícero Romão Batista, patriarca da cidade de Juazeiro do Norte, cidade localizada no sul do Ceara, torna-se impossível não analisar sua imagem como religioso, como político e principalmente como advogado que foi para o povo nordestino.
Historicamente, Juazeiro do Norte mantinha relações de forma interina com a cidade do Crato, pois não possuía nenhuma estrutura capaz de realizar-se por si só, tendo em seu território apenas algumas casas e uma capela em homenagem a Nossa Senhora das Dores, sendo esta o ponto de oração para as poucas famílias que ali residiam. Motivados pela fé, os fieis do pequeno vilarejo encontraram na figura de um jovem padre formado pelo seminário de Fortaleza e recentemente chegado da capital uma luz para a manutenção das atividades da então capela, que tivera seus trabalhos encerrados pela ausência de celebrante. Na missa do galo do ano de 1871, é celebrada a 1ª missa presidida pelo Pe. Cícero, sendo que, em meados do mês de abril do ano de 1872 fixa-se o então pároco para a vila juntamente com sua mãe e suas irmãs.
Inicialmente tendo seu sustento baseado nas doações dos fieis da vila, o Pe. Cícero realiza um forte e relevante trabalho no aconselhamento dos moradores do lugar, os seus sábios ensinamentos atraíram novas pessoas para a busca de conselhos dados pelo “padim”. Essa elevação no contingente de moradores da região fez como que estimulasse de certa forma a ira de certos fazendeiros que viram seus empregados saírem de suas terras na busca por uma melhor qualidade de vida. O Nordeste em si por possuir em seu levante um histórico baseado na violência através dos cangaceiros, que matavam sem nenhum escrúpulo, teve também em juazeiro um palco para realização de vários atos deste caráter. Muitas vezes familiares de vitimas revoltados com a ação de cangaceiros procuravam o padre Cícero no intuito de ser aconselhado quanto à questão de vingança, e as palavras dadas pelo vigário era apenas do perdão e que buscassem no trabalho e nas orações a força para superar tais aflições. Neste levante, quando muitos dos agentes do cangaço de maneira arrependida procuravam a benção do padre, recebiam-na de fato levando consigo o conselho muitas vezes firmado por ele que dizia: quem matou não mate mais, quem pecou não peque mais.
O numero de episódios desta natureza aumentava a cada dia e a força do padre Cícero aumentava paulatinamente e passava por todo o nordeste e por que não dizer por todo o Brasil, tendo alcançado ate mesmo a imortal figura do rei do cangaço, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Na busca pelo perdão do padrinho obtém-no de fato. Sendo empossado do dever em parar de cometer os crimes que antes cometia recebendo ainda mais a ordem de evitar voltar às terras juazeirenses enquanto não erradicasse de sua natureza a ação de matar ou roubar, não tendo parado de realizar tais atos não voltou mais a Juazeiro, tendo sido capturado pouco tempo depois e de maneira cruel teve sua cabeça, assim como de seu bando decepada. Este episódio evidencia de forma clara que o padre Cícero, ao contrario do que se diz por ai em ter escondido Lampião por debaixo da batina, sempre primou à honestidade e a dignidade do homem. 
Neste rol de informações defendo minha idéia de que o Pe. Cícero diferente de ter sido um advogado criminológico das ilicitudes e das contravenções foi sim um grande combatente das desigualdades sociais e um grande seguidor das doutrinas católicas. Encerro o presente trabalho deixando claro minha admiração pela figura do patriarca de Juazeiro que até hoje através de suas ações e de suas defesas como advogado do povo sofredor ainda mantém um forte levante de devotos. Não sendo somente neste sentido, deixa-se claro sua firme inteligência, sendo ele o imponente e imortal condutor da economia que ate os dias de hoje rege o município de Juazeiro do Norte.
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Arão Pereira e Silva Neto, é bacharel em Direito, formado pela URCA, atualmente acadêmico de Medicina em Sta Cruz de La Sierra - Bolivia. Escreveu este texto quando cursava o primeiro semestre na disciplina DE SOCIOLOGIA JURIDICA.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

História de uma placa em homenagem ao Padre Cícero

Quem passa pela Praça Padre Cícero dificilmente para a fim de ler os dizeres que têm nas placas afixadas na estátua do Padre Cícero ali localizada. De todas somente uma tem uma história para contar, pois foi tudo documentado pelo seu idealizador, desde a  concepção da ideia até a sua confecção. Essa história está contada com detalhes no livro de Odílio Figueiredo Filho intitulado Odílio Figueiredo, um juazeirense de expressão, cuja transcrição fazemos abaixo devido ao seu valor histórico e para conhecimento das gerações presentes. 

Placa comemorativa do centenário de nascimento do Pe. Cícero

Em março de 1944, Odílio Figueiredo encontrava-se no Rio de Janeiro, então capital da República, com Adelina, sua mãe, Edith sua mulher e seu irmão, Pedro. No dia 24 do mês, comemorar-se-ia o centésimo aniversário de nascimento do Padre Cícero Romão Batista. Sendo um dos líderes de Juazeiro do Norte, ocupando naquele ano, o cargo de Presidente da Associação Comercial do município, resolveu promover algumas reuniões com cearenses radicados naquela cidade para darem uma dimensão mais ampla à efeméride. No dia 19 de março do referido ano, no hotel onde se encontrava hospedado, tendo às mãos um álbum19 com páginas em branco para registro das atas que seriam realizadas nessas reuniões, assinalou: "Aos dezenove dias do mês de março de 1944, à Rua do Catete 160, hotel onde se achava hospedado o Sr. Odílio de Figueiredo, teve lugar a primeira reunião de cearenses no Rio convidados especialmente para tratarem dos assuntos relativos às comemorações que seriam prestadas na passagem do 1º centenário de nascimento do Padre Cícero, fundador de Juazeiro e homem de incontestável valor no desenvolvimento de toda zona sul do Estado do Ceará. A ele se deve o desenvolvimento da cidade desde os seus primórdios, a cuja obra se dedicou inteiramente desde sua chegada ali, como Capelão, no ano de 1872. Graças a essa dedicação e ao incomparável trabalho por ele ali desenvolvido, Juazeiro tornou-se em pouco tempo, o centro mais populoso do interior do Estado e uma das maiores e mais florescentes cidades do Nordeste. O acelerado desenvolvimento de Juazeiro veio contribuir também de modo acentuado para o povoamento de todo o Vale do Cariri, da Serra do Araripe e das zonas circunvizinhas, concorrendo como fator preponderante para o grandioso cenário produtivo de que desfruta hoje toda aquela rica região do Estado. Mais que justas, portanto, são as homenagens que lhe serão prestadas por ocasião da passagem do seu 1º centenário de nascimento, porque qualquer que seja o conceito formado em torno de sua personalidade, jamais será possível duvidar tenha sido ele um dos maiores responsáveis pelo crescente progresso em que se encontra hoje a região sul cearense. Assim, movidos pelos mesmos sentimentos de gratidão para com o benemérito fundador da cidade de Juazeiro, reuniram-se os cearenses no Rio, numa demonstração de veneração e apreço à sua memória. Organizada a reunião, foi constatada a presença dos senhores: Odílio Figueiredo, Apício Macedo, José de Almeida Cavalcante, José de Figueiredo Matos, Odilon Calheiros Sobreira, Pedro da Franca, Geneflides Matos, Lauro Brizeno Costa, Souza Alves Leite, Enoque Pereira Guimarães, Antonio Nascimento Rocha, Paulo Alves Pontes, Raul Loyola de Alencar, Jeffé Matos, Joaquim Sisino Rocha, Paulo Sampaio, José Cordeiro, Ernâni Silva, Pedro Figueiredo e José Brizeno de Almeida." Na Assembleia foram aprovados os nomes de Odílio Figueiredo, Apício de Macedo e José Almeida Cavalcante, respectivamente para os cargos de Presidente, Secretário e Tesoureiro para direção daquela evento. Dessa reunião resultou a constituição de um grupo de trabalho para dar sequência às resoluções, discriminadas a seguir, aprovadas naquela Assembleia: Ia - construção de uma placa de bronze em alto relêvo, de 40cm X 60cm, contendo os seguintes dizeres:
"23.03.1844 - 23.03.1944. No transcurso do 1º Centenário de Nascimento do Padre Cícero, os cearenses no Rio de Janeiro mandaram colocar esta placa em homenagem ao fundador da cidade"; 2ª - Transmissão de telegramas aos senhores Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Presidente da Associação Brasileira de Imprensa(ABl), Interventor Federal do Estado do Ceará, Presidente da Associação Comercial de Juazeiro do Norte, Presidente da União Beneficente de Juazeiro, Centro Regional de Publicidade de Juazeiro e Gazeta do Cariri de Crato; 3ª - Nomeação da Comissão da Placa que ficou assim constituída: Presidente: Dr. Deoclécio Dantas; demais membros: Antônio Apício Macedo, Dr. Jeffé Matos e José de Almeida Cavalcante; 4a - Constituição da Comissão de Propaganda que ficou assim constituída: Presidente: Edmar Morel; demais membros: Pedro da Franca, Geneflides Matos e José Cordeiro Sobral. Por sugestão do Presidente da Assembleia correu-se uma lista entre os presentes para coleta dos recursos financeiros necessários ao custeio da placa. 
As contribuições financeiras recebidas totalizaram a importância de Cr$ 1.110,00 (Um mil cento e dez cruzeiros), discriminada, a seguir, segundo o valor doado por alguns dos presentes:
Doador Cr$
Odílio Figueiredo 100,00
Pedro da Franca 100,00
José de Almeida Cavalcante 100,00
Joaquim Sisino Rocha 100,00
Ernâni Silva 50,00
Jeffé Matos 50,00
Geneflides Matos 50,00
Antônio Nascimento Rocha 40,00
Pedro Figueiredo 40,00
Enoque Pereira Guimarães 30,00
José Cordeiro 50,00
Souza Alves Leite 50,00
Raul Loiola de Alencar 40,00
Paulo Alves Pontes 40,00
José de Figueiredo Matos 25,00
Odilon Calheiros Sobreira 25,00
Paulo Maia 30,00
Lauro Brizeno Costa 50,00
Apício de Macedo 40,00
João batista S. Cavalcante 100,00

A essa reunião seguiram-se mais duas, sendo a última realizada no dia 24 de abril daquele ano para a sessão solene comemorativa do 1º centenário de nascimento de Padre Cícero, realizada na Praça Floriano, 55-10° andar e presidida pelo Sr. Deoclécio Dantas. Foram oradores oficiais dessa Assembleia: José de Almeida Cavalcante que falou sobre o padre e a fundação da cidade; Dr. Pedro Coutinho Silva que abordou a vida do padre sob o aspecto político; Bacharel Jéferson Matos que enfocou a vida sacerdotal do Pe. Cícero; e Dr.Geneflides Matos que deu ênfase, em seu discurso ao Padre Cícero como educador e Edmar Morel que fez uma abordagem sobre o espírito nacionalista do Padre Cícero. Fizerem uso da palavra, ainda, Odilon Sobreira, Francisco José da Silva, Odílio Figueiredo. Os membros que participaram dessa reunião delegaram a meu pai a incumbência de transportar do Rio para Juazeiro, a placa de bronze, que deveria ser colocada, como efetivamente o foi, no pedestal da estátua do Padre Cícero, na Praça que leva o seu nome em Juazeiro. Esse álbum, que para mim é uma relíquia histórica, além dos registros à mão relativos às reuniões havidas no Rio, contém fotos, notas de jornais, crónicas de Austregésilo de Athayde e de Rachel de Queiroz sobre o evento, publicadas em jornais do Rio de Janeiro e uma carta do Padre Azarias Sobreira, sobre o referido "álbum" encaminhada a meu pai em 17 de julho de 1944, da qual eu pincei o seguinte texto: "Tirante Xavier de Oliveira e o Padre Macedo, nenhum outro juazeirense meteria ombros a semelhante empreendimento, se levarmos em conta a hostilidade característica da metrópole (Rio) e a sua condição de forasteiro recém-chegado ali." O documento em referência será entregue por Odílio de Figueiredo Filho, ao Prefeito de Juazeiro do Norte, para ampliar o acervo de bens do Memorial Padre Cícero.
Memória fotográfica do evento